terça-feira, 29 de novembro de 2011

Sobre o Álbum e o Filme Imaginaerum


A minha banda de metal sinfônico preferida, o Nightwish, está lançando um novo álbum, e junto com esse novo álbum virá um filme. As músicas compostas numa lógica de roteiro de forma conceitual serão o pano de fundo para a história de um homem com uma doença terminal, Thomas, que se perde no seu próprio mundo de fantasia, enquanto sua filha tenta alcançá-lo dentro dos seus sonhos para reatar um laço familiar desfeito a anos. Uma mistura improvável de drama, fantasia e musical, que promete ser um casamento entre filmes do Tim Burton, histórias do Neil Gaiman e um estilo que passeia entre musicais tradicionais e musicais no estilo de The Wall do Pink Floyd.
Dirigido por Stobe Harju, que trabalhou junto com a banda no clipe The Islander do álbum Dark Passion Play e foi premiado pela direção do aplaudido jogo Alan Wake, o filme "Imaginaerum" ainda conta com um elenco não muito conhecido mas que tem aparições rápidas no cinema, como a canadense Marianne Farley (do famoso canadense de vampiros Carne Branca) e outros nomes como o garotinho Quinn Lord e o já veterano Francis McCarthy.
Uma espécie de Behind the Scenes pode ser visto no clipe do single Storytime.

Para os leitores que não conhecem, o Nightwish é uma banda de heavy metal sinfônico da finlândia, composta por Tuomas Holopainen (Teclados, Composições), Anette Olzon (Vocais), Marco Hietala (Baixo/Vocais), Jukka Nevalainen (Bateria) e Emppu Vuorinen (Guitarras).

Eu tive a oportunidade de ouvir o álbum e eis minha "review" sobre as músicas:

Taikatalvi

Introdução mágica. O início é simplesmente genial. A idéia de ter mantido o som da caixinha de musica dando corda! E a intro é curta mas passeia por vários estilos e atmosferas que mostram o clima de todo o álbum. Linda. E ela não acaba, emenda com

Storytime

É um single melhor do que os singles anteriores da banda Amaranth, Bye Bye Beautiful e Nemo. Mais trabalhado. Mas a voz da Anette não está das mais surpreendentes e tem algo de estranho na musica. De qualquer forma já havia enjoado dela. Mas é uma ótima musica, mesmo sendo a menos aproveitável do álbum na minha opinião.

Ghost River

A introdução remonta os tempos “oceanbornicos” do Nightwish (Oceanborn foi o segundo álbum da banda). Pesada, rápida. Os vocais da Anette e do Marco dramáticos e se contrapondo como num diálogo entre vítima e algoz. O feeling que ambos passam nessa musica é incrível. Achei que o coro infantil participaria mais da musica, mas é incrível quando elas aparecem.

Slow, Love, Slow

É incrível como essa faixa é um estilo completamente diferente do que o Nightwish já fez e ainda assim consegue passar um feeling que só o Nightwish sabe passar. O instrumental é incrível e aqui vemos a primeira demonstração de real “bom aproveitamento” da voz da Anette, que está incrível.

I Want My Tears Back

Nightwish puro. O que eles fazem de melhor no metal e no folk estão nessa musica. Lindos vocais da Anette nas estrofes. A fusão dos instrumentos folk com a guitarra é incrível e a música é daquelas que grudam na cabeça, seria um ótimo single.

Scaretale

Teatral até a alma, eis uma música que é a cara de filmes do Tim Burton e suas trilhas de Danny Elfman. Você escapa de um coro assustador de crianças para cair nas garras de uma bruxa malvada, interpretada linda e surpreendentemente pela Anette, e quando consegue escapar dela acaba por ser capturado por um palhaço enlouquecido, num desempenho genial do Marco. Assim, como "Slow, Love, Slow", é diferente de tudo o que o Nightwish já fez, mas ainda assim com a assinatura do Tuomas. É um pouco menos do que eu esperava, mas é uma das melhores já feitas pelo Holopainen.

Arabesque

Você foge do conto assustador e genial para cair nas graças de uma espécie de interlúdio que quebra o clima pesado e assustador, mantém a atmosfera exótica do álbum e te prepara para a calmaria que vem em seguida. Típica trilha sonora de filme.

Turn Loose the Mermaids

Linda faixa folk e calma que destaca o belo vocal da Anette. Não está entre as melhores do álbum, mas é uma belíssima canção e é a cara do Nightwish lento e folk que sempre ouvimos.

Rest Calm

Apesar do nome e do ritmo lento, não se engane, é uma musica pesada. Ela reúne elementos da época do Oceanborn com o que o Tuomas fez no Dark Passion Play e faz algo completamente na vibe da banda. Tanto o Marco quanto a Anette dão um show nessa música, e mais uma vez o coral infantil desempenha um papel importantíssimo.

The Crow, The Owl and the Dove

É a música do album que menos se parece com Nightwish, o que não significa que é uma musica ruim. Muito pelo contrário. É uma linda música lenta composta pelo Marco. Apesar de ainda achar que o baixista estava mais inspirado quando compôs The Islander, ele fez uma melodia linda, que gruda na cabeça e funde as vozes dele e da Anette num dueto incrível. A música passeia no folk com uma leve pegada New Age por conta dos efeitos. Destaque também para a voz do Troy que se mostra exótica encaixada nesse estilo de musica, mas que soaria perfeitamente normal numa banda de rock alternativo.

Last Ride of the Day

Junto com I Want My Tears Back, é a música que mais lembra o clássico Nightwish da era Century Child – Once. Coros, orquestras, ritmo. Tudo muito bem feito, vocal incrível da Anette, bem parecido com o que já conhecíamos mas dessa vez sem parecer deslocado. Uma música incrível.

Song of Myself

Faixa longa do álbum. Sinceramente me decepcionei com ela. Achei que teria uma concorrente forte para disputar o lugar de masterpiece junto com The Poet and the Pendulum e Ghost Love Score, mas apesar dos primeiros minutos ungidos, com um vocal incrível da Anette e coros maravilhosos, são 6 minutos inteiros de falação interminável. Um lindo poema por sinal, mas completamente decepcionante colocado no meio de uma faixa onde eu esperava 13 minutos de musica metamorfa como é The Poet and the Pendulum. Mas a parte cantada é muito boa mesmo.

Imaginaerum

Assim como Taikatalvi é uma introdução original e inteligente para o álbum, Imaginaerum me fez viajar ao me fazer lembrar de todas as outras musicas do álbum utilizando trechos marcantes orquestrados de cada uma. Linda e perfeita para créditos finais de um filme.

Conclusão

É um álbum incrível. Não é tudo o que eu esperava, devo dizer, mas o meu pequeno desapontamento foi engolido por um álbum paradoxal, variado e eclético, que ao mesmo tempo em que apresenta um novo Nightwish, é o mesmo velho e bom Nightwish de sempre. Não temos mais uma vocalista e uma banda, temos uma banda que se completa e é um conjunto que funciona. Como disse uma garota num vídeo por aí: Dark Passion Play não foi o Início da Nova Era do Nightwish. Imaginaerum é.