segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sobre o Filme "Matador em Perigo"

Quando vi a capa de Matador em Perigo, não dei muito crédito. Parecia aqueles filmes ruins de comédia misturada com ação que te deixam com azia de tantas piadas ruins.O título brasileiro não ajudou muito também.
O que me levou a assistir foi o fato de Emily Blunt, a "caçula" (em termos de projeção) das jovens divas de Hollywood, estar estampada na capa junto com Rupert Grint, que até então eu só havia visto no papel de Rony Weasley na série Harry Potter.
O enredo do filme, cujo nome original é 'Wild Target' (vai entender, não é?)acompanha Victor Maynard (Bill Nighy), um assassino solitário de meia-idade, vive para agradar sua formidável mãe, Louisa (Eileen Atkins). Até que sua rotina profissional é interrompida por duas pessoas: a bela Rose (Emily Blunt), um dos alvos de Maynard, que ele prefere poupar por se sentir atraído por ela e Tony (Rupert Grint), um jovem que passa a ser o aprendiz de Victor depois de aparecer de forma inusitada na trama. Agora, essas duas novas e improváveis companhias seguem junto ao assassino, enquanto este procura frustrar os planos homicidas de seu insatisfeito cliente (Rupert Everett).


Emily Blunt está adorável como sempre, num papel um tanto paradoxal, que apresenta a personagem com o temperamento de uma típica mocinha de filme, mas ao mesmo tempo é uma anti heroína cleptomaníaca, com sintomas de bipolaridade. O figurino dela foi muito bem pensado, com cores que combinam com a personalidade dela e um estilo que demonstra o meio em que ela vive.

Bill Nighy está ótimo e hilariante no papel do matador metódico e excêntrico que de repente tem seu método todo bagunçado por uma jovem saltitante e algumas crises de identidade que volta e meia provoca risos no espectador.
Gosto do Rupert Grint desde que vi o último Harry Potter, e ele está adequado no papel do garoto desamparado que parece um personagem dispensável à primeira vista, mas que é fundamental, ao meu ver, para que a relação entre Rose e Maynard nos faça rir e ficar curiosos com o desfecho dos personagens...
Ahh claro! Como esquecer da adorável mãe do Maynard? Ela, com seu jeito excêntrico e exigente com o filho, proporciona algumas das cenas mais engraçadas do filme...
Rupert Everett está no filme também, mas nem o percebi.

O filme tem uma bela fotografia, que não se resume a deixar as coisas esteticamente bonitinhas, tem várias sacadas muito inteligentes, sobretudo nas cores. Enquadramentos e movimentos de câmera inteligentes também dão gosto de ver e nâo deixam o filme cair no clichê.
A cena em que Maynard espia a Rose pela primeira vez é um bom exemplo: muito engraçada na sua sutilidade, não dependendo de diálogos nem de apelação para fazer insinuações que dão o tom de humor à cena...

Humor discreto, tipicamente britânico, sutil, inteligente e que, mesmo não sendo nenhuma história genial ou perfeita - o filme não é nenhum prodígio cinematográfico, mas cumpre bem sua proposta e faz rir sem fazer uso de situações bizarras demais como em filmes do tipo besteirol americano.

Vale a pena!