sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sobre A Crônica da Casa Assassinada

No ano de 2009 eu tentei ingressar na UFMG. Um dos livros indicados ao vestibular foi “Crônica da Casa Assassinada”. Sendo sincero, não sou o maior fã da literatura brasileira cobrada nos vestibulares. Gosto de narrativas objetivas. E também não GOSTEI exatamente desse livro.
Arrastado, cansativo e com uma linguagem carregada. Mas cheguei a certo ponto da história no qual não conseguia mais parar de ler. Era involuntário. E passei a ser fã do livro, mesmo sem gostar exatamente.
A obra é toda narrada em primeira pessoa, mas não por uma pessoa. É narrado por vários personagens, onde temos trechos de diários, narrações, depoimentos e cartas, que juntos formam uma história extremamente densa e pesada em todo o seu conteúdo, seja nos temas abordados, no clima da história ou na sensação de desastre próximo. E o mais interessante é que esses trechos não estão na ordem… Usando flashbacks e flashforwards por todo o livro, o autor, Lúcio Cardoso, construiu a narrativa não linear de uma forma que pode ser chamada de genial.

Cardoso criou personagens improváveis e ao mesmo tempo tão realistas que o contraste que se cria é quase físico e insuportável. Quanto mais a história avança, mais os personagens mergulham em si mesmos, nos seus pecados e segredos, e isso, como é de se esperar se encaminha a um final trágico, infeliz e surpreendente.

É cheio de questionamentos filosóficos de todo tipo e profundidade intensa. A parcialidade com que os personagens narram a história é tão verossímil que podemos dizer que ao terminarmos a leitura somos amigos íntimos de todos eles. E é nessa atmosfera pesada, sobrenatural que a trama se desenvolve sempre dando a impressão de avançar a um desfecho trágico.

Não é uma leitura que recomendo a quem gosta um pouquinho de ler. Você tem que gostar muito de ler, e tem que gostar de mergulhar em pesadelos alheios de pessoas que parecem ao mesmo tempo muito distantes e muito próximas de nós…

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Sobre as Indicações do Oscar 2011

Bem, já que inicio o blog no dia da divulgação dos indicados ao Oscar 2011, nada melhor do que dizer o que achei a respeito.
Não vou fazer comentários extensos por que realmente ainda não assisti à maioria dos filmes indicados às principais categorias (Filme, Diretor, Roteiro, Atriz, Ator), à exceção de A Origem (Indicado para Melhor Filme e Melhor Roteiro Original), mas quero prestar algumas queixas que não serão ouvidas pelos figurões de Hollywod sobre algumas indicações na parte técnica e visual.
A começar pelas indicações aos Efeitos Especiais. Havia lido que As Crônicas de Narnia – A Viagem do Peregrino da Alvorada (ao qual vou me referir a partir de agora apenas como Narnia 3) estava entre os candidatos à indicação.
E se eu não soubesse que a premiação mais famosa do mundo cinematográfico é um tanto (como vou dizer?)... Tendenciosa, com certeza eu teria ficado confuso com o fato de Narnia 3 não ter aparecido na lista dos indicados.
Por quê? Bem simples a resposta: Os efeitos especiais do filme são infinitamente superiores aos dos indicados e poderia facilmente ter substituído Alice no País das Maravilhas, A Origem ou Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 (cujos efeitos são realmente bons, mas nem tanto e teve outra indicação até justa à categoria Melhor Direção de Arte).
Quanto ao querido do público, mas nem tão querido assim do Oscar “A Origem”, bem, os efeitos são muito pertinentes e bem colocados na trama, que ao contrário de filmes como As Crônicas de Narnia, não precisa chamar tanta atenção para a parte visual para desviar a atenção de um roteiro que seja fraco. Mas os efeitos visuais do filme do Nolan, apesar de responsáveis por cenas memoráveis, têm fins mais práticos do que visuais e não são tão bem feitos assim..
Ainda sobre A Origem, é preciso dizer que eu sou um dos fãs do Nolan que reclama da não aparição do filme na categoria referente à Montagem, mas como não estou informado sobre a montagem da maioria dos indicados, não ouso reclamar muito.
Não assisti Tron - O Legado, mas vi o suficiente dele para ficar quase tão surpreso quanto fiquei por Narnia 3, quando vi que também não havia sido indicado para a categoria de efeitos visuais, afinal, além dos efeitos terem sido muito felizes até onde eu vi, o estardalhaço feito em torno de Tron foi grande!
Outra impertinência das indicações a meu ver, foi Toy Story 3 ter aparecido nas categorias Melhor Filme e Melhor Longa Animado. Isso não soa meio redundante? Enfim, assim que saírem os resultados e eu tiver assistido os filmes da lista que ainda não vi e pretendo ver, eu faço mais comentários a respeito.

Até mais ver, amigos cinéfilos!

Sobre Este Blog

Creio que devo explicar a natureza deste blog para algum desavisado que venha procurar críticas profissionais, notícias impessoais e alguma coisa cult aqui.
Não, este não é um blog cult, e muito menos profissional. Isso aqui é mais uma extensão do meu outro blog, o Diário de Um Extraterrestre. Mas como sou viciado em livros, filmes e também em blogs, resolvi criar (mais) um endereço onde possa colocar o que eu quiser sobre livros, filmes, séries, artistas e outras coisas de gente esquisita.
No fim das contas eu nem sei pra que eu criei outro blog, uma vez que não estou dando conta de atualizar todos os que eu tenho, mas enfim, se você estiver interessado em meus escritos, seja bem vindo e comente a vontade!

Jônathas