quarta-feira, 2 de maio de 2018

Sobre gerações de nerds: Há 15 anos, X-Men 2 fazia por mim o que Guerra Infinita está fazendo agora


Hoje, X-Men 2 completa 15 anos (e por isso, este texto estará cheio de spoilers do filme).
Quem já leu textos aqui no blog sabe quanto eu curto X-Men. Dos desenhos aos filmes.
Já até defendi o Bryan Singer aqui - coisa que não faço mais hoje, tanto pela conduta pessoal dele, quanto pelo fato dele ter sido o responsável pela atrocidade que foi X-Men Apocalypse.
Já mostrei aqui também que tenho uma opinião diferente da maioria dos fãs de quadrinhos a respeito de adaptações cinematográficas.
Por essas razões, não deixa de me incomodar e me entristecer que filmes que foram importantíssimos pra mim e que considero excelentes até hoje parecem não ter tanta importância assim ou não impressiona a nova geração de nerds, que parece não ver a hora da Marvel finalmente colocar as mãos nos mutantes e colocá-los junto com os Vingadores nas telonas - possibilidade agora real, já que a compra da Fox pela Disney já está finalizada por parte das empresas e só não dará certo se, de alguma forma a regulamentação norte-americana não aprová-la.
Eu não estou tão ansioso assim (embora esteja em alguns aspectos), e os mais jovens dificilmente compreendem minha não empolgação em ver os X-Men na Marvel Studios.
Observando as reações a Guerra Infinita - o primeiro filme da Marvel que realmente me deixou apreensivo e tenso em relação ao destino dos personagens - eu entendi um pouco o que X-Men fez por mim que talvez a nova geração não compreenda.

sábado, 3 de junho de 2017

Sobre o filme "Corra!": O filme é isso tudo SIM!



Um passeio no gênero: terror ou suspense?

Desde que tomei a decisão pessoal de não assistir mais filmes de terror (isso rende outro textão), abri duas exceções das quais eu não me arrependi. Uma delas foi o australiano "The Babadook", que é um excelente filme de terror, mas, mais do que isso, é uma fantástica metáfora à depressão decorrente do luto como vivida pelas pessoas na vida real - incluindo seu desfecho que, para muitos, foi insatisfatório.
"The Babadook" me lembrou de como o terror às vezes pode ser usado, não como puro entretenimento sádico para aliviar nossos medos reais, mas para reflexões mais profundas através do exagero e do absurdo das situações impostas. Lembro-me de ficar impressionado como a diretora Jennifer Kent foi feliz em demonstrar a percepção pessimista da personagem principal, em como as coisas parecem fora do lugar, exageradas e isso não é um ponto contra, mas a favor do filme: esses pequenos exageros expõem a situação crítica da mulher traumatizada pela morte do marido, cuja causa da morte foi um acidente que ocorreu enquanto ele a levava para o hospital, pois estava em trabalho de parto.
Esse ponto de vista da paranoia do personagem principal é usado exaustivamente nos filmes do gênero, mas poucos realmente usam de forma inteligente e perspicaz, como quando Roman Polanski resolve focar na paranoia da personagem de Mia Farrow em "O Bebê de Rosemary", levantando questões relacionadas à figura da mulher passiva e objetificada ou quando "Mulheres Perfeitas" (1975) satiriza descaradamente a misoginia e o machismo, ou ainda quando, em "Violência Gratuita" (1997/2007), Michael Haneke te choca e te incomoda com a violência, sempre filmada por ele "no lugar errado", usando a quebra de quarta parede para criticar os chamados torture porns (filmes como "O Albergue" e "Jogos Mortais") - inclusive no remake de 2007, que parece criticas a onda desse subgênero que se instalou de repente nos anos 2000 .
Essa característica não é exclusiva do gênero terror em si, mas sim da sátira.
A sátira expõe defeitos e incoerências de pessoas, instituições ou mesmo da sociedade através da ridicularização. Essa ridicularização é dada justamente pelo absurdo e exagero das situações.

E é aí que entra a segunda exceção que abri: o recente "Corra!" (Get Out), a estreia do comediante (!) Jordan Peele na direção.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Sobre o filme Batman v Superman: A Origem da Justiça

Obs.: A resenha a seguir possui alguns spoilers do filme.



Eu li o seguinte comentário sobre os filmes do Universo Expandido Cinematográfico da DC (vou chamar aqui de DCEU):
"O grande problema é que analisam os atuais filmes da DC como se fossem escolhidos na corrida para o Oscar. Por estarem acostumados com o padrão Marvel, eles querem fazer uma crítica aprofundada naquilo que é diferente."

Ainda não posso falar sobre Esquadrão Suicida, mas posso falar sobre Batman v Superman: a vantagem que a Marvel tem é que mesmo seus filmes medianos, presos àqueles enredos formulaicos e pouco inventivos, funcionam para o que se propõem.
Aparentemente os do DCEU propõem algo diferente, mas que não funciona. Não funciona como filme de herói e nem como filme.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Sobre a série Stranger Things: A melhor salada de anos 80 do século XXI



Da mistura de cores nas roupas até X-Men Apocalypse, os anos 80 estão de volta em diversos níveis.
Na música pop, na moda, nos remakes cinematográficos e continuações. Uma continuação para Star Wars, uma estética cinematográfica nostálgica (vide filmes do JJ Abrams e séries como Mr. Robot)... Estamos numa era de nostalgia.
Reviver de forma romântica as décadas do século 20 é o novo black, especialmente anos 60, 70, 80 e até os anos 90 (agora que a última geração nascida nos anos 90 está quase inteira no ensino médio).
E como todas as outras, essa tendência traz vários produtos, alguns executados de forma desengonçada e outros que realmente trazem de volta o melhor da década que tenta homenagear.
Felizmente, Stranger Things se encaixa na última categoria.