sábado, 3 de junho de 2017

Sobre o filme "Corra!": O filme é isso tudo SIM!



Um passeio no gênero: terror ou suspense?

Desde que tomei a decisão pessoal de não assistir mais filmes de terror (isso rende outro textão), abri duas exceções das quais eu não me arrependi. Uma delas foi o australiano "The Babadook", que é um excelente filme de terror, mas, mais do que isso, é uma fantástica metáfora à depressão decorrente do luto como vivida pelas pessoas na vida real - incluindo seu desfecho que, para muitos, foi insatisfatório.
"The Babadook" me lembrou de como o terror às vezes pode ser usado, não como puro entretenimento sádico para aliviar nossos medos reais, mas para reflexões mais profundas através do exagero e do absurdo das situações impostas. Lembro-me de ficar impressionado como a diretora Jennifer Kent foi feliz em demonstrar a percepção pessimista da personagem principal, em como as coisas parecem fora do lugar, exageradas e isso não é um ponto contra, mas a favor do filme: esses pequenos exageros expõem a situação crítica da mulher traumatizada pela morte do marido, cuja causa da morte foi um acidente que ocorreu enquanto ele a levava para o hospital, pois estava em trabalho de parto.
Esse ponto de vista da paranoia do personagem principal é usado exaustivamente nos filmes do gênero, mas poucos realmente usam de forma inteligente e perspicaz, como quando Roman Polanski resolve focar na paranoia da personagem de Mia Farrow em "O Bebê de Rosemary", levantando questões relacionadas à figura da mulher passiva e objetificada ou quando "Mulheres Perfeitas" (1975) satiriza descaradamente a misoginia e o machismo, ou ainda quando, em "Violência Gratuita" (1997/2007), Michael Haneke te choca e te incomoda com a violência, sempre filmada por ele "no lugar errado", usando a quebra de quarta parede para criticar os chamados torture porns (filmes como "O Albergue" e "Jogos Mortais") - inclusive no remake de 2007, que parece criticas a onda desse subgênero que se instalou de repente nos anos 2000 .
Essa característica não é exclusiva do gênero terror em si, mas sim da sátira.
A sátira expõe defeitos e incoerências de pessoas, instituições ou mesmo da sociedade através da ridicularização. Essa ridicularização é dada justamente pelo absurdo e exagero das situações.

E é aí que entra a segunda exceção que abri: o recente "Corra!" (Get Out), a estreia do comediante (!) Jordan Peele na direção.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Sobre o filme Batman v Superman: A Origem da Justiça

Obs.: A resenha a seguir possui alguns spoilers do filme.



Eu li o seguinte comentário sobre os filmes do Universo Expandido Cinematográfico da DC (vou chamar aqui de DCEU):
"O grande problema é que analisam os atuais filmes da DC como se fossem escolhidos na corrida para o Oscar. Por estarem acostumados com o padrão Marvel, eles querem fazer uma crítica aprofundada naquilo que é diferente."

Ainda não posso falar sobre Esquadrão Suicida, mas posso falar sobre Batman v Superman: a vantagem que a Marvel tem é que mesmo seus filmes medianos, presos àqueles enredos formulaicos e pouco inventivos, funcionam para o que se propõem.
Aparentemente os do DCEU propõem algo diferente, mas que não funciona. Não funciona como filme de herói e nem como filme.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Sobre a série Stranger Things: A melhor salada de anos 80 do século XXI



Da mistura de cores nas roupas até X-Men Apocalypse, os anos 80 estão de volta em diversos níveis.
Na música pop, na moda, nos remakes cinematográficos e continuações. Uma continuação para Star Wars, uma estética cinematográfica nostálgica (vide filmes do JJ Abrams e séries como Mr. Robot)... Estamos numa era de nostalgia.
Reviver de forma romântica as décadas do século 20 é o novo black, especialmente anos 60, 70, 80 e até os anos 90 (agora que a última geração nascida nos anos 90 está quase inteira no ensino médio).
E como todas as outras, essa tendência traz vários produtos, alguns executados de forma desengonçada e outros que realmente trazem de volta o melhor da década que tenta homenagear.
Felizmente, Stranger Things se encaixa na última categoria.

domingo, 22 de maio de 2016

Sobre X-Men: Coisas dos filmes que saíram direto das HQs


A franquia cinematográfica dos X-Men é uma das que mais divide opiniões entre os fãs de quadrinhos, principalmente depois que a Marvel Studios lançou seu universo  nas telonas, criando um grande escopo que parece ser o novo padrão comparativo para os outros filmes, embora os X-Men tenham inaugurado a nova era dos filmes de heróis e tenha feito o primeiro filme de equipe que funcionou, influenciando a Disney a investir na franquia dos Vingadores e lançar sua própria tendência ao quebrar os novos paradigmas do filme de herói sombrio, denso e realista lançado por Singer e continuado por Christopher Nolan, fazendo filmes mais "família" e trazendo os uniformes coloridos de volta para as telas.
Isso criou um novo paradigma que fez com que alguns fãs de quadrinhos começassem a torcer o nariz para as leituras autorais que diretores como Sam Raimi, Bryan Singer e Christopher Nolan trouxeram para suas adaptações. Não vou entrar no mérito da adaptação, pois já escrevi sobre isso aqui (LEIA).

Esse texto é uma resposta a uma das frases que mais leio em fóruns de discussão: "A Fox ignora completamente os quadrinhos pra fazer seus filmes". Para mostrar que isso está errado, fiz uma lista de elementos da franquia que foram retirados diretamente dos quadrinhos, sejam cenas inteiras ou apenas referências. A lista não inclui aspectos visuais óbvios, como o figurino civil e o cabelo cafona do Wolverine sempre com seu charuto, os cabelos brancos da Tempestade, a Jean ruiva, as mechas brancas da Vampira ou o incrível visual do Fera em X-Men 3. Vou tentar me ater ao máximo a acontecimentos dos enredos e também vou me ater aos filmes da equipe, sem contar os filmes solo do Wolverine e do Deadpool. Obviamente a lista contém spoilers, mas está dividida por filmes, então não precisa ler tudo se não tiver visto todos os filmes.